sexta-feira, 11 de maio de 2012

Impulso



Aconteceu de novo.
Sem luta,
Reflexão,
Agi.
Não queria,
Desculpas.
Inevitável,
Algo forçado.
Sem vida,
Sem luz,
Sem vontade.
 ­_ Adeus.
Fechei a porta,
Sentei-me no mesmo lugar.

Thamyris Fernandes

terça-feira, 1 de maio de 2012

Coração de vidro


Morgânia Almeida

Um sorriso,
Frases polidas.
Um aceno,
Cumprimento discreto,
Um jogo impessoal.
Não há emoção
Nestes olhos.
Não há amor
Nestas mãos.
Não há alegria
Nestes lábios sorridentes.
Você é de vidro
Perfeito,
Inerte,
Nada pode sentir.

Thamyris Fernandes

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Renovação



A chuva que promete o céu
Bem poderia limpar-me a alma.
Lavar toda mágoa que trago,
Remover as manchas do cansaço,
Alvejar a esperança.
No horizonte noturno,
Os clarões de prenúncio da tempestade
Deveriam emprestar luz a minha fé,
Poída pelo tempo,
Desbotada pelo uso,
Com grandes máculas.

Thamyris Fernandes

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Esfinge


Decifra-me
Ou deserte do jogo.
Seria fácil demais
Revelar-lhe meus pensamentos.
Seja sagaz
Estude meus gestos,
Expressões
E silêncios.
Compreenda-me,
Então revele-me a mim.
Desta incumbência
Já estou farta.

Thamyris Fernandes

terça-feira, 27 de março de 2012

Insônia



Madrugada.
O sono não vem,
A chuva não cai,
A aurora não nasce,
Não tenho mais esperança.
Demora...
Janelas abertas.
Lá fora,
Selva de pedra
Rija,
Quente,
Impessoal.
Aqui dentro,
Eu,
Sozinha.
Nada se move,
Nem eu respiro.
Pedra na selva
Inquieta,
Fria,
Particular.

Thamyris Fernandes